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APDR – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional

A transição para uma economia de baixo carbono coloca uma questão que merece maior atenção: como descarbonizar territórios onde empresas, população, infraestruturas e capacidade de investimento se encontram dispersos?

Grande parte das políticas de descarbonização foi pensada para cidades e regiões com forte concentração industrial. Nesses territórios, a proximidade entre empresas, fornecedores, conhecimento e infraestruturas facilita investimentos de grande escala. Na baixa densidade, a realidade é diferente. Predominam empresas de menor dimensão, os custos de coordenação são superiores e muitos investimentos dificilmente são viáveis à escala de uma empresa isolada.

Não podemos, por isso, limitar-nos a reproduzir no Interior os modelos concebidos para grandes regiões industriais. Precisamos de inverter a lógica: se não existe concentração suficiente, é necessário criar escala através da coopetição (isto é, cooperação e competição, em simultâneo).

É neste ponto que faz sentido discutir os Clusters de Descarbonização na Baixa Densidade (CDBD). Em vez de cada empresa procurar isoladamente produzir energia, armazená-la, reduzir emissões, valorizar resíduos ou adquirir serviços especializados, diferentes empresas e instituições podem agregar necessidades e recursos. Podem partilhar produção renovável e armazenamento, desenvolver soluções comuns de mobilidade e logística, aproveitar resíduos e subprodutos, utilizar infraestruturas conjuntas e realizar investimentos que isoladamente não seriam viáveis.

A passagem do cluster industrial para o cluster de descarbonização significa, assim, passar da concentração para a agregação; da proximidade apenas geográfica para a complementaridade funcional; do investimento individual para projetos partilhados; e da descarbonização como obrigação ambiental para a descarbonização como fonte de competitividade e criação de valor territorial.

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